Juliana Colares // Diario
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“Um dia, ao entrar no elevador e ver a sua imagem no espelho, ela falou: com essa mulher eu não vou”. O sofrimento da professora aposentada Andréa Azevedo ao saber que a mãe e grande amiga, Lindalva Paiva, tinha doença de alzheimer não pode ser descrito. Não cabe em uma reportagem. Só ela sabe o que sentiu ao vê-la entrar em um provador e conversar com a própria imagem. Ao falar com a mãe, do jeito como sempre fez, e não ser reconhecida. Ao vê-la, em 2000, chegar em casa, depois de cerca de 20 dias de internamento, e não saber onde estava. Hoje, aos 94 anos, Lindalva depende da filha, de 72, para tudo. Quase não fala. E quando fala, na maioria das vezes é impossível entender. Assiste TV na sala e vê a movimentação de jornalistas em seu apartamento sem saber o que se passa.
![]() Andréa Azevedo, 72 anos, só descobriu que a mãe, Lindalva Paiva, 94, tinha alzheimer após passar por quatro médicos. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press |
A doença que Lindalva tem é progressiva. E não tem cura. Foi descoberta após quatro consultas com diferentes médicos. Os três primeiros disseram que os esquecimentos daex professora de culinária eram coisa da idade. Facilitar e agilizar o diagnóstico de alzheimer pode ser uma das conseqüências de um grande estudo realizado por grupos de pesquisa do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika-UFPE) e da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores mapearam os genes que são fatores de risco para a doença na população brasileira. Alzheimer tem causas genéticas e ambientais.
Ao todo, 10 genes foram mapeados. Eles estão presentes no DNA de todo ser humano. Mas, são as variantes (e as combinações entre elas) desses genes que definem um maior ou menor risco de alguém ter alzheimer. Dos 10, quatro variantes, principalmente o alelo 4 da apolipoproteína E, são os principais fatores de risco para a doença. O estudo se chama “The genetics of alzheimer’s disease in Brazil: 10 years of analysis in a unique population” (A genética da doença de alzheimer no Brasil: 10 anos de estudo em uma população singular) e foi recentemente publicada no periódico especializado Journal of Molecular Neuroscience. O pesquisador do Lika e co-autor do estudo, João Ricardo Mendes de Oliveira, defende a importância de se estudar os brasileiros por causa das características únicas desse povo, como as diferenças étnicas. “A idéia é que se possa entender melhor o alzheimer para criar técnicas de diagnóstico. Conhecendo a doença, podemos adotar novos tratamentos”, diz o pesquisador.
Estudo à espera de recursos
Dificuldade para conseguir financiamento é o principal entrave para a continuidade da pesquisa no Lika. Segundo o co-autor do estudo, o médico e pós-doutor em neurologia e e psiquiatria, João Ricardo Mendes de Oliveira, o objetivo é dar continuidade à pesquisa dos genes e, por meio de uma técnica que permite o estudo simultâneo das variantes genéticas, tentar chegar a um método diagnóstico mais rápido e simples. Feito com uma amostra de sangue. Hoje a doença é diagnosticada por exclusão. Isso significa que muitos exames, incluindo de sangue e de neuroimagens, precisam ser realizados para que se possa afastar a possibilidade de haver outra doença.
Além disso, o mapeamento dos genes de alzheimer abre novas possibilidades de tratamento, principalmente com o avanço de métodos que procuram desenvolver medicamentos baseados no perfil genético do paciente – é a farmacogenética. Tudo isso, no entanto, ainda está longe de sair dos laboratórios científicos e chegar às mãos de pacientes como Lindalva Paiva. E ainda hámuito a se pesquisar. O grupo de estudos coordenado por João Ricardo trabalha nessa área de estudo desde 1994. Cerca de 300 pacientes de São Paulo e do Recife ajudaram a compor um banco de DNA.
O trabalho será apresentado durante o I Simpósio de Inovação em Ciências Biológicas, que será realizado entre 19 e 21 deste mês, na UFPE. O 6º Congresso Brasileiro de Alzheimer ocorrerá de 13 a 16 próximos, no Mar Hotel, em Boa Viagem.
Entenda a doença
l Alzheimer é uma doença progressiva e tem diferentes manifestações, dependendo da pessoa. Pode afetar a memória, a atenção, a linguagem e até provocar mudanças comportamentais, como agitação e agressividade
l No início, ela pode ser negligenciada e interpretada como processo normal de envelhecimento
l Em estágio inicial, a pessoa pode ter problemas com a linguagem, desorientação no espaço e no tempo, dificuldades para tomar decisões, lembrar fatos recentes e/ou apresentar sinais de depressão
l Com o tempo, os problemas se tornam mais evidentes e o paciente começa a ter dificuldades nas atividades do dia-a-dia. Ele pode esquecer os nomes das pessoas, ter problemas para administrar a casa ou os negócios e precisar de ajuda para a higiene pessoal
l Em fase avançada, os distúrbios de memória são mais acentuados e a dependência se agrava. O paciente pode apresentar dificuldades para se alimentar sozinho, passar a não reconhecer os familiares, ter dificuldades em entender o que ocorre ao seu redor, dificuldade de locomoção e incontinência urinária e fecal.
Onde buscar apoio
l Grupo de Apoio São Marcos – encontros na primeira quarta-feira do mês, às 14h30. Clube da Melhor Idade – Av. Portugal, 2, Paissandu
l Grupo de Apoio Boa Viagem – encontro na terça-feira do mês, às 15h salão paroquial da Igreja Nossa Senhora de Boa Viagem. Rua Doutor Nilo Dornelas Câmara, 116, Boa Viagem
l Atendimento individual – primeira e segunda quarta-feira do mês, das 9h às 12h Geriavida – Rua Jacó Velosino, 101, Casa Forte, Recife, fone: 3269.4282
l Dúvidas sobre os grupos de apoio ou mais informações: Associação Brasileira de Alzheimer 3223.1129 // 3431.6852

Gostaria de saber se no Brasil, em alguma universidade, Laboratório ou Instituto, existe algum grupo de cientistas estudando o alzheimer.
E se há algum progresso nessa área.
Em minha opinião, o Alzheimer é a pior das doenças.
Grato por qualquer retorno.
José Victor